Salmonelose em aves: um problema antigo, uma solução simples



O Brasil é o terceiro maior produtor e o país líder em exportação de carne de corte aviária no mundo. Quando o assunto é produção de carne, o Brasil se destaca especialmente pela geografia, clima e tradição agropecuária.


Estimativas recentes mostram que somos o terceiro maior produtor mundial de frangos de corte, sendo 30% dessa produção destinada ao mercado externo, o que leva o Brasil para o topo do ranking mundial de exportação.


Para garantir a qualidade da carne, é preciso ficar atento à saúde dos animais. As principais doenças que atingem nossas aves estão ligadas ao trato respiratório, como a coriza e bronquite infecciosas, mas a salmonelose, uma infecção que ocorre no intestino, é de grande interesse dos avicultores. 🐔

A salmonelose é causada pelas bactérias do gênero Salmonella, que atualmente é dividido em três espécies (Salmonella enterica, Salmonella bongori e Salmonella subterranea). De acordo com o Ministério da Saúde, a espécie S. enterica possui ainda 6 subespécies, sendo S. enterica enterica a responsável por quase a totalidade dos casos de salmonelose. A salmonelose um problema não só para a qualidade da carne, mas também para a saúde do consumidor, já que a ingestão de carne contaminada causa intoxicação e pode inclusive levar à morte.


O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) determina medidas de prevenção, controle e vigilância de doenças com impacto na saúde animal e humana, e através dele são definidas as ações para a certificação sanitária. A legislação brasileira estabelece, através das Instruções Normativas nº 20 de 21/10/2016, nº 18 de 25/05/2017 e nº 41 de 04/12/2017, vários procedimentos para controle e monitoramento sanitário de Salmonella spp., entre eles o diagnóstico molecular por soroaglutinação em placa (SPA) e ensaio imunoenzimático de fase líquida (ELISA) a partir do isolamento do agente por esfregaço de cloaca.


Uma forma simples de avaliar a contaminação por Salmonella spp. é utilizando rep-PCR, uma técnica que funciona a partir da multiplicação de fragmentos de DNA que se repetem ao longo do genoma da bactéria, formando uma “impressão digital” (fingerprint) daquele microrganismo encontrado na amostra. Quando comparadas várias amostras, é possível identificar a clonalidade entre isolados e encontrar a origem da contaminação. 🦠

Pense assim: em uma granja existem três galpões, dos quais dois estão contaminados com Salmonella. Um teste de rep-PCR foi feito com amostras dos três lugares e se verificou que o fingerprint da bactéria era igual nos dois galpões contaminados. O que isso nos mostra? Que a origem epidemiológica é a mesma, ou seja, existe apenas uma fonte levando a bactéria para ambos os lugares. E se o teste tivesse detectado dois fingerprints diferentes, um para cada galpão? Então existem duas fontes de contaminação na granja.


Em ambos estes casos, a solução se torna muito simples já que, sabendo quantas e quais as origens de contaminação, o controle epidemiológico pode ser realizado com rapidez para que a dispersão não progrida e não comprometa mais a granja. 🔍

Leia mais sobre rep-PCR e identificação de microrganismos neste outro post: Como identificar isolados de bactérias e fungos rapidamente e com acurácia


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Fontes:


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CONHEÇA AS PRINCIPAIS DOENÇAS QUE ATINGEM AVES. In: CANAL RURAL. 3 dez. 2014. Disponível em: https://www.canalrural.com.br/noticias/conheca-principais-doencas-que-atingem-aves-53809/. Acesso em: 19 jul. 2021.


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PROGRAMA NACIONAL DE SANIDADE AVÍCOLA (PNSA). [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/pnsa/programa-nacional-de-sanidade-avicola-pnsa. Acesso em: 20 jul. 2021.


BRASIL. Instrução Normativa nº 20, de 21 de outubro de 2016. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/22061817/do1-2016-10-25-instrucao-normativa-n-20-de-21-de-outubro-de-2016-22061778-22061778. Acesso em: 19 jul. 2021.


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BRASIL. Instrução Normativa nº 18, de 25 de maio de 2017. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19129250/do1-2017-06-22-instrucao-normativa-n-18-de-25-de-maio-de-2017-19129232. Acesso em: 19 jul. 2021.


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