Bioinoculantes como alternativa para pesticidas e insumos químicos

Pesticidas e fertilizantes químicos são amplamente utilizados na agricultura praticada ao redor do mundo. Enquanto os pesticidas são aplicados para se evitar perdas na produção, protegendo as plantas contra pragas e doenças, os fertilizantes suplementam os nutrientes do solo, especialmente fosfatos e nitratos.


No entanto, insumos agrícolas são responsáveis por diversos tipos de contaminação:

  • Podem acumular-se em tecidos animais e, assim, serem transferidos a outros níveis tróficos por meio da cadeia alimentar;

  • Podem se infiltrar no solo, contaminando lençóis freáticos e nascentes.


O uso incorreto também pode acarretar e/ou agravar problemas de saúde humana e animal, como o câncer e efeitos deletérios nos sistemas imune, nervoso, respiratório, endócrino e reprodutivo.


Apesar das grandes consequências geradas pelo uso desses compostos, o sistema agrícola ainda é dependente do seu uso. Para suprir a alta demanda de produção cada vez mais se faz necessário tomar medidas que promovam uma rápida produção de alimentos e previnam pragas e doenças no campo.


Uma alternativa sustentável é a utilização de agentes biológicos. Os bioinoculantes, por exemplo, são compostos contendo fungos e/ou bactérias benéficos às plantas, que atuam no biocontrole de patógenos e potencializam o crescimento vegetal.


Seguem alguns exemplos de microrganismos benéficos:

  • Azospirillum sp.: além de fixarem nitrogênio, este gênero de bactérias produzem fitormônios que auxiliam no crescimento radicular de diversas espécies de plantas. Também auxiliam na tolerância ao estresse salino e à seca, parâmetros fotossintéticos (aumentando o teor de clorofila das plantas e a capacidade de trocas gasosas com o meio), produção de biomassa, etc.


  • Bacillus subtilis: espécie bacteriana muito utilizada em diversas culturas de leguminosas. Sua inoculação em sementes ou no solo previne a infecção por patógenos, promove a secreção de substâncias promotoras de crescimento e a solubilização de fosfato.


  • Bradyrhizobium sp.: este gênero de bactérias associam-se de forma simbiótica ao sistema radicular da soja, maximizando a fixação biológica do nitrogênio, e, consequentemente, aumentando a produtividade.


  • Rhizobium sp.: gênero de bactérias endossimbiontes que vivem no interior das raízes de leguminosas, auxiliando a fixação do nitrogênio atmosférico e produzindo moléculas promotoras de crescimento vegetal.


  • Trichoderma sp.: gênero de fungos que contém espécies antagonistas a diversas espécies de microrganismos patogênicos. Também auxiliam o crescimento e desenvolvimento de plantas pela secreção de substâncias, solubilização de nutrientes, alteração do metabolismo dos vegetais (aumentando os níveis de enzimas relacionadas à defesa), etc.


Em suma, fungos e bactérias podem realizar o biocontrole de patógenos pela secreção de antimicrobianos, competitividade e parasitismo. Já a indução do crescimento vegetal ou da produtividade pode ocorrer de diversas formas distintas, dependendo da espécie microbiana envolvida.


Por que realizar testes metagenômicos e metataxonômicos do solo?


Esse tipo de análise revela a saúde do solo, ao relacionar os tipos de microrganismos presentes, suas atividades e funções ecológicas. Além disso, é possível avaliar a utilização de bioinoculantes específicos.


A utilização de tratamentos sem considerar fatores biológicos do solo podem ser ineficazes e até mesmo prejudiciais ao solo.


Com os testes da Agrega, é possível avaliar a saúde do solo e suas necessidades particulares. Ao utilizar bioinoculantes específicos ao seu tipo de solo, além de potencializar a produção agrícola e evitar a proliferação de patógenos, você contribui para uma agricultura sustentável.


Referências bibliográficas


Allaga et al. A Composite Bioinoculant Based on the Combined Application of Beneficial Bacteria and Fungi. Agronomy 2020, 10(2), 220; https://doi.org/10.3390/agronomy10020220


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Harman et al. (2004). Trichoderma species-opportunistic, avirulent plant symbionts. Nat. Rev. Microbiol. 2, 43–56. https://doi.org/10.1038/nrmicro797


Hungria et al. (2001). Fixação biológica do nitrogênio na cultura da soja. Embrapa Soja. Circular Técnica, 35. http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/459673


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Jaiswal et al. (2021). Rhizobia as a Source of Plant Growth-Promoting Molecules: Potential Applications and Possible Operational Mechanisms. Front. Sustain. Food Syst. https://doi.org/10.3389/fsufs.2020.619676



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